9 de janeiro de 2010

Metam a tesão para dentro.

Os meus sábados são feitos de encontros. De sol a sol, a bater perna pela cidade velha, a saltar de café em café para cumprir a agenda cheia de gente para ver, conversas para pôr em dia, apoio moral, novidades bombásticas, histórias tristes, pequenas histerias passageiras, partilhas das mais diversas. Hoje calhou ser um sábado só de mulheres - cinco encontros com cinco mulheres que, umas mais presentes que outras, vão estando na minha vida. É refrescante ter um dia assim, sendo que a grande maioria das pessoas na minha vida são homens e sempre me vão faltando pelo caminho algumas referências de lipstick jungle.

Das cinco mulheres quatro são casadas, emparelhadas, amatizadas ou qualquer outra definição do género que implique um "nós". E as quatro estão a atravessar momentos difíceis nos respectivos emparelhamentos. Ainda não percebi porque é que estas criaturas maravilhosas vêm ter comigo com pedidos de conselhos e opiniões, sendo que é do domínio público que eu tenho pouco talento para o "nós" e parca experiência em relações bem sucedidas. Confrontadas com este facto, em uníssono alegam a minha lucidez, o meu pragmatismo e a determinação com que "mordo" a vida. Aceito os elogios mas continuo na mesma, sem perceber porquê.

Estas quatro mulheres emparelhadas, todas entre os 30 e os 40, vivem hoje momentos de ruptura e há-os para todos os gostos: o homem que saiu de casa com uma criança de meses porque se apaixonou perdidamente por outra pessoa, o homem que dá umas voltinhas por fora e esconde tão bem que frustra qualquer instinto apurado, o homem que dá voltinhas por fora e não faz qualquer esforço para esconder. Não digo que as minhas mulheres não tenham culpas no cartório nem que sejam monumentos irrepreensíveis à vida conjugal - mas também não vou entrar por aí porque não tenho qualquer legitimidade para avaliar o que quer que seja.

A grande conclusão do dia está no papel que assumi hoje (um papel no qual sou sempre boa): o advogado do diabo. Estive então o dia inteiro a defender os homens destas minhas mulheres - não necessariamente a defender o indefensável, mas a trazer à mesa uma perspectiva diferente. Dei por mim a racionalizar infidelidades, a defender o amor paternal, a proteger os homens destas minhas mulheres de pequenas vinganças e humilhações (as mulheres conseguem chegar a um extremo assustador de insanidade quando rejeitadas).

Chegado o fim do dia e antes de ir para "o senhor que se segue", dei por mim a reiterar uma conclusão já antiga que me frustra no sexo oposto - e sinto-me com legitimidade para o dizer porque o meu círculo é muito masculino - falta coragem aos homens. Falta verticalidade. Falta que os tenham no sítio. Porque jamais conheci um homem que tenha deixado de fazer parte de um "nós" sem ter um novo "nós" adiante, sem ter uma razão concreta e objectiva para perseguir e conquistar a seguir. E isso frustra-me. Por mais que adore os meus homens, revejo neles também esta característica. E por mais que adore os meus homens tenho muito mais mulheres que assumem na personalidade, atitude e escolhas de vida a característica morfológica predominante da masculinidade. Sem punhos de renda, conheço mais mulheres com tomates do que homens.

E por isso, apesar de ter passado o dia inteiro em defesa dos homens, vou - aqui que ninguém nos ouve - parafrasear uma senhora de quem muito gosto e dizer: Homens deste mundo, metam a tesão para dentro e façam o favor de erguer outra coisa.

3 comentários:

  1. A questão que talvez subverta essa conclusão é: qual a diferença entre homens e mulheres quando procuram outros "nós"? Certamente que qualquer homem ou mulher te dará mil e uma razões, sem que nenhuma seja mais ou menos válida que a outra. Quem diz que só se pode procurar "outros" com uma justificação superlativamente romântica? Quem diz que só se pode procurar "outros" com uma justificação meramente fisica? Aliás, raramente tem a ver apenas com tesão. Quem deseja aliviar a tesão com "outros" basta gastar uma nota de 50 e nem precisa de perguntar o nome.
    A dificuldade em responder a estas questões está no facto de nem tu nem eu podermos deixar de ser homem ou mulher para respondermos a isto sem parecer que estamos a defender/contrariar a nossa própria sexualidade...

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  2. Felino - antes de mais, gosto que passes regularmente "cá por casa".
    A questão que discuto aqui não é se e quem procura outros "nós", as motivações ou o determinismo ligado ao género. Homens e mulheres o fazem, de igual para igual, como convém à contemporaneidade. Homens e mulheres alegam todo o tipo de argumentos, mais ou menos racionais, mais ou menos físicos, mais ou menos românticos. Acho, aliás, profundamente normal que se vão encontrando ao longo da vida pessoas a quem se acha graça, estejamos nós num "nós" ou não. Há inúmeras pessoas interessantes por esse mundo fora e é impossível ser-se imune a isso - mas varia necessariamente a atitude perante isso. Mas o que discuto aqui não tem a ver com esse lado. Tem a ver com uma característica ligada ao carácter: a coragem. E essa vejo-a mais frequentemente manifesta em mulheres que em homens - conheço poucos que saem de uma relação gasta só por si, fazem-no normalmente quando já têm do outro lado um novo objecto de desejo/amor/paixão/tesão (é indiferente). E ao chegar a essa conclusão não estou a defender ou contrariar nenhum dos géneros, estou a generalizar com base na minha experiência - vale o que vale e não exclui excepções :-)

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  3. Ok, I see your point.
    Vai mantendo uma garrafinha aberta aqui para mim... ;)

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