Os meus sábados são feitos de encontros. De sol a sol, a bater perna pela cidade velha, a saltar de café em café para cumprir a agenda cheia de gente para ver, conversas para pôr em dia, apoio moral, novidades bombásticas, histórias tristes, pequenas histerias passageiras, partilhas das mais diversas. Hoje calhou ser um sábado só de mulheres - cinco encontros com cinco mulheres que, umas mais presentes que outras, vão estando na minha vida. É refrescante ter um dia assim, sendo que a grande maioria das pessoas na minha vida são homens e sempre me vão faltando pelo caminho algumas referências de lipstick jungle.
Das cinco mulheres quatro são casadas, emparelhadas, amatizadas ou qualquer outra definição do género que implique um "nós". E as quatro estão a atravessar momentos difíceis nos respectivos emparelhamentos. Ainda não percebi porque é que estas criaturas maravilhosas vêm ter comigo com pedidos de conselhos e opiniões, sendo que é do domínio público que eu tenho pouco talento para o "nós" e parca experiência em relações bem sucedidas. Confrontadas com este facto, em uníssono alegam a minha lucidez, o meu pragmatismo e a determinação com que "mordo" a vida. Aceito os elogios mas continuo na mesma, sem perceber porquê.
Estas quatro mulheres emparelhadas, todas entre os 30 e os 40, vivem hoje momentos de ruptura e há-os para todos os gostos: o homem que saiu de casa com uma criança de meses porque se apaixonou perdidamente por outra pessoa, o homem que dá umas voltinhas por fora e esconde tão bem que frustra qualquer instinto apurado, o homem que dá voltinhas por fora e não faz qualquer esforço para esconder. Não digo que as minhas mulheres não tenham culpas no cartório nem que sejam monumentos irrepreensíveis à vida conjugal - mas também não vou entrar por aí porque não tenho qualquer legitimidade para avaliar o que quer que seja.
A grande conclusão do dia está no papel que assumi hoje (um papel no qual sou sempre boa): o advogado do diabo. Estive então o dia inteiro a defender os homens destas minhas mulheres - não necessariamente a defender o indefensável, mas a trazer à mesa uma perspectiva diferente. Dei por mim a racionalizar infidelidades, a defender o amor paternal, a proteger os homens destas minhas mulheres de pequenas vinganças e humilhações (as mulheres conseguem chegar a um extremo assustador de insanidade quando rejeitadas).
Chegado o fim do dia e antes de ir para "o senhor que se segue", dei por mim a reiterar uma conclusão já antiga que me frustra no sexo oposto - e sinto-me com legitimidade para o dizer porque o meu círculo é muito masculino - falta coragem aos homens. Falta verticalidade. Falta que os tenham no sítio. Porque jamais conheci um homem que tenha deixado de fazer parte de um "nós" sem ter um novo "nós" adiante, sem ter uma razão concreta e objectiva para perseguir e conquistar a seguir. E isso frustra-me. Por mais que adore os meus homens, revejo neles também esta característica. E por mais que adore os meus homens tenho muito mais mulheres que assumem na personalidade, atitude e escolhas de vida a característica morfológica predominante da masculinidade. Sem punhos de renda, conheço mais mulheres com tomates do que homens.
E por isso, apesar de ter passado o dia inteiro em defesa dos homens, vou - aqui que ninguém nos ouve - parafrasear uma senhora de quem muito gosto e dizer: Homens deste mundo, metam a tesão para dentro e façam o favor de erguer outra coisa.
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9 de janeiro de 2010
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