24 de janeiro de 2010

Em forma de coisa que sim.

Anda, mexe-te, faz qualquer coisa. Não te deixes ficar aí que me dás nos nervos. Faz-te à vida, treme o chão. Dá um passo: ao lado, em frente, atrás, qualquer coisa. Mas não congeles, não te deixes ficar aí no silêncio. Desassossega-te. Que o desassossego é bom, traz movimento, traz coisas que acontecem e desatam nós. Faz qualquer coisa, um sinal de fumo, um apito, um gesto, que qualquer dia já não sei se aí estás. Mexe-te. Faz qualquer coisa. Ou mexe só um dedo que seja. Uma coisa qualquer em forma de assim, em forma de coisa que vive, em forma de coisa que sim. Dá um laço, dá um nó, desata, dá corda, amarra, solta, larga. Qualquer coisa. Que este fio definido e claro que aqui está vai desaparecer mais dia menos dia e depois é só mais um novelo. Anda, faz. Que eu por mim já não consigo, é um precedente que não volto a abrir. Uma espécie de birra que acordou aqui, que se instalou devagar como uma conversa numa madrugada alentejana. Anda, mexe-te. Faz estações, uma qualquer. Faz temporais ou terramotos, faz brisas suaves ou chuvas de agosto. Mas faz, faz, faz. Que esta coisa do fazer faz-se nota de arranque da música, linha primeira da pauta, entrada em cena. Anda, faz. Faz qualquer coisa em forma de sim.

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