Mostrar mensagens com a etiqueta epifanias. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta epifanias. Mostrar todas as mensagens

9 de julho de 2012

Quando as palavras dos outros dizem o que não sabemos dizer - parte 2

"Um homem chegou aos quarenta e assumiu a tristeza de não ter um filho. Chamava-se Crisóstomo. Estava sozinho, seus amores haviam falhado e sentia que tudo lhe faltava pela metade, como se tivesse apenas metade dos olhos, metade do peito e metade das pernas, metade da casa e dos talheres, metade dos dias, metade das palavras para se explicar às pessoas. Via-se metade ao espelho e achava tudo demasiado breve, precipitado, como se as coisas lhe fugissem, a esconderem-se para evitar a sua companhia. Via-se metade ao espelho porque se via sem mais ninguém, carregado de ausências e de silêncios como os precipícios ou poços fundos. Para dentro do homem era um sem fim, e pouco ou nada do que continha lhe servia de felicidade. Para dentro do homem o homem caía."

O filho de mil homens, Valter Hugo Mãe

8 de dezembro de 2010

Conclusão.

Chego à conclusão que, visto de perto, ninguém é normal.

30 de novembro de 2010

Os verbos estar e ser.

Não sei nada sobre separar a alma do corpo. Se soubesse não me tinha entregue há já muito tempo à dormência cínica de uma solidão artificial, pontilhada aqui e ali por seduções de algibeira, tão pueris como inconsequentes, tão alheadas como desinteressantes. Continuo a acreditar no amor - aliás, não é de amor que estou a falar. Continuo a acreditar na infinita capacidade que um olhar, um sorriso, um cuidado pode ter de mudar o rumo dos dias. Continuo a acreditar na possibilidade do amor, na minha capacidade de me maravilhar com o mundo e com as pessoas. Só não sei até que ponto a minha profissionalização no cinismo emocional pode fazer com que isto mude. Para já estou no limbo. Sinto ainda que se me despir fico com o o coração a nú, com a alma virada para fora e sem a capacidade de traduzir as ideias em coisas. Pensar e sentir são, definitivamente, duas coisas diferentes. Mas com a particularidade de, muitas vezes, acontecerem em simultâneo, uma espécie de epifania-vertigem das coisas que não sei se "estou" ou "sou". Para já estou no limbo. E para saltar de cima do muro preciso de perceber se, no que diz respeito à alma e ao corpo, já esgotei o meu direito à inocência e daqui para a frente vai ser sempre assim um cinismo dormente.

14 de novembro de 2010

Postcards from Italy

Há músicas que cheiram ao passado e me lembram, com a distinta clareza de uma madrugada depois da chuva, das coisas que fizeram valer a pena chegar até aqui. É uma espécie de melancolia-alegre, uma ternura guardada num postal antigo. Não sei se a memória me trai quando me traz só as coisas boas desses dias, não sei se é um revivalismo tonto do que já foi e, como diziam os outros na canção, não volta a ser. Não sei se é a distância no tempo ou memória de passarinho, mas de repente tenho um ataque súbito de saudades do que fomos e de quando tudo era simples e bom. De quando não havia perguntas ou se as havia tinham respostas de encontro. Não sei se é um arrebatamento solitário, este bocado de fim de domingo, o dia em que - já o sabíamos então - não se combina programas, fica-se, só se fica, sem mais nada. Não sei se é um engano, história fabricada no silêncio desolado, um capricho do coração, truque de prestidigitador. Mas de repente, no quieto desta casa que nunca foi a tua, tenho um bocadinho(dão) de saudades tuas. Do que fomos. E acho que pela primeira vez não me sabem amargas.

5 de setembro de 2010

Comove. Ilumina. Transforma.

How to be alone, by Tanya Davis

If you are at first lonely, be patient. If you've not been alone much, or if when you were, you weren't okay with it, then just wait. You'll find it's fine to be alone once you're embracing it.

We could start with the acceptable places, the bathroom, the coffee shop, the library. Where you can stall and read the paper, where you can get your caffeine fix and sit and stay there. Where you can browse the stacks and smell the books. You're not supposed to talk much anyway so it's safe there.

There's also the gym. If you're shy you could hang out with yourself in mirrors, you could put headphones in (guitar stroke).

And there's public transportation, because we all gotta go places.

And there's prayer and meditation. No one will think less if you're hanging with your breath seeking peace and salvation.

Start simple. Things you may have previously (electric guitar plucking) based on your avoid being alone principals.

The lunch counter. Where you will be surrounded by chow-downers. Employees who only have an hour and their spouses work across town and so they -- like you -- will be alone.

Resist the urge to hang out with your cell phone.

When you are comfortable with eat lunch and run, take yourself out for dinner. A restaurant with linen and silverware. You're no less intriguing a person when you're eating solo dessert to cleaning the whipped cream from the dish with your finger. In fact some people at full tables will wish they were where you were.

Go to the movies. Where it is dark and soothing. Alone in your seat amidst a fleeting community.
And then, take yourself out dancing to a club where no one knows you. Stand on the outside of the floor till the lights convince you more and more and the music shows you. Dance like no one's watching...because, they're probably not. And, if they are, assume it is with best of human intentions. The way bodies move genuinely to beats is, after all, gorgeous and affecting. Dance until you're sweating, and beads of perspiration remind you of life's best things, down your back like a brook of blessings.

Go to the woods alone, and the trees and squirrels will watch for you.
Go to an unfamiliar city, roam the streets, there're always statues to talk to and benches made for sitting give strangers a shared existence if only for a minute and these moments can be so uplifting and the conversations you get in by sitting alone on benches might've never happened had you not been there by yourself

Society is afraid of alonedom, like lonely hearts are wasting away in basements, like people must have problems if, after a while, nobody is dating them. but lonely is a freedom that breaths easy and weightless and lonely is healing if you make it.

You could stand, swathed by groups and mobs or hold hands with your partner, look both further and farther for the endless quest for company. But no one's in your head and by the time you translate your thoughts, some essence of them may be lost or perhaps it is just kept.

Perhaps in the interest of loving oneself, perhaps all those sappy slogans from preschool over to high school's groaning were tokens for holding the lonely at bay. Cuz if you're happy in your head than solitude is blessed and alone is okay.

It's okay if no one believes like you. All experience is unique, no one has the same synapses, can't think like you, for this be releived, keeps things interesting lifes magic things in reach.

And it doesn't mean you're not connected, that communitie's not present, just take the perspective you get from being one person in one head and feel the effects of it. take silence and respect it. if you have an art that needs a practice, stop neglecting it. if your family doesn't get you, or religious sect is not meant for you, don't obsess about it.

you could be in an instant surrounded if you needed it
If your heart is bleeding make the best of it
There is heat in freezing, be a testament.


21 de março de 2010

Ele é que a sabe toda.

O amigo às vezes à noite é que a sabe toda - desculpa Felino, ele ganhou desta vez. A conclusão do mês é que os homens gostam mesmo é de ser maltratados. Apreciam. E isso explica tanta coisa... É que eu não tenho talento para destratar, para ser má com as pessoas, para as massacrar. Sou, apesar de disfarçar bem, uma criatura de amor. Gosto de abraços, de dar colo e coração. Gosto de tratar bem e ser bem tratada, de dar amor e algodão doce. Gosto de estar perto para o que for preciso. Em geral, não maltrato, não desprezo, não espezinho, não evito, não dou patadas, não escorraço, não corroo. E, se calhar, esta coisa toda de ser boazinha e viver na "la-la-land" é o maior anti-tesão do mundo. Enjoa. Isso explica mesmo muita coisa (só me apetece dizer palavrões).

26 de fevereiro de 2010

He's not that into you.

Há um livro escrito por um senhor e uma senhora (Greg Behrendt e Liz Tuccillo): deu um filme; um programa inteirinho da Oprah; uma aparição bastante intensa nesse clássico da vida feminina, a série Sex & The City; uma aparição na série menos badalada Gilmore Girls e uma menção num filme obscuro chamado Zombieland. E não é para menos. Quando o li foi uma imediata lufada de ar fresco sobre a visão romantizada e hollywoodesca que temos das relações e do "antes", da fase de conquista. Profundamente americanizado - na nossa realidade há conceitos que perdem conteúdo - mas brutalmente esclarecedor e imensamente honesto. Amei. Adoro a crueza com que se olha e se escreve sobre uma verdade tão elementar e animal como o "se ele acha graça vai à caça" (a rima foi acidental mas até me correu bem). Ora, eu sou uma criatura relativamente pragmática e algo despudorada, o que faz com que, quando acho graça a alguém, faça questão de o mostrar, nota-se à légua porque a discrição não é o meu forte. A parte tramada é que, numa mulher, isso é perfeitamente contra-producente e na maior parte dos casos é altamente intimidador - o que, confesso, me dá nos nervos - mas acaba por ser uma estratégia válida para separar o trigo do joio. Ou pelo menos, apesar do conselho inverso de um dos meus mais queridos amigos, serve para alimentar o ego de meia dúzia de alminhas que por aí andam, chamemos-lhe um serviço de utilidade pública. Ora, sendo o livro tão esclarecedor, sendo eu uma criatura pragmática com uma crença profunda no amor, sendo esta ideia tão libertadora e, sobretudo, acreditando na transparência e repudiando jogos, não podia deixar de celebrar e partilhar a minha epifania matinal de hoje, citando Humphrey Bogart no Casablanca: "Louis, I think this is the beginning of a beautiful friendship".