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14 de novembro de 2010
Postcards from Italy
Há músicas que cheiram ao passado e me lembram, com a distinta clareza de uma madrugada depois da chuva, das coisas que fizeram valer a pena chegar até aqui. É uma espécie de melancolia-alegre, uma ternura guardada num postal antigo. Não sei se a memória me trai quando me traz só as coisas boas desses dias, não sei se é um revivalismo tonto do que já foi e, como diziam os outros na canção, não volta a ser. Não sei se é a distância no tempo ou memória de passarinho, mas de repente tenho um ataque súbito de saudades do que fomos e de quando tudo era simples e bom. De quando não havia perguntas ou se as havia tinham respostas de encontro. Não sei se é um arrebatamento solitário, este bocado de fim de domingo, o dia em que - já o sabíamos então - não se combina programas, fica-se, só se fica, sem mais nada. Não sei se é um engano, história fabricada no silêncio desolado, um capricho do coração, truque de prestidigitador. Mas de repente, no quieto desta casa que nunca foi a tua, tenho um bocadinho(dão) de saudades tuas. Do que fomos. E acho que pela primeira vez não me sabem amargas.
29 de março de 2010
Da ausência.
Os meus queridos leitores que me perdoem a ausência, mas na última semana têm-me faltado as palavras. É raro isso acontecer, mas não sei sequer começar a explicar o quão maravilhoso isso é. Por isso deixo três linhas a dar sinal de vida e a celebrar a comunicação não verbal. Voltarei a breve trecho para vos voltar a falar do amor e outros fatalismos.
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do amor e outros fatalismos,
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