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31 de maio de 2011
Das palavras.
Sou das palavras. Já o disse, aqui e em todo o lugar, inúmeras vezes, a sério e a brincar, profissionalmente e entre amigos, em português e em estrangeiro. Sou das palavras. Para mim elas têm forma, contornos, peso, cor, cheiro, densidade, sabor. Toco-as, às palavras. Sou capaz de enfiar a mão no bolso e tirar de lá umas quantas, de as espalhar sobre a mesa, de as atirar ao vento, de as engolir, cuspir, mastigar, pisar, abraçar. São coisas, as palavras. Por isso é que são capazes de me magoar ou de mudar o rumo de um dia quando me fazem sorrir. São coisas, as palavras. E por isso é que às vezes me apetecia agarrá-las pelo colarinho, encostá-las à parede e fazê-las sair. Porque as palavras - pelo menos as minhas - têm vida própria, só fazem o que querem. Sou das palavras.
5 de abril de 2010
Com toda a humildade vos digo...
... faço minhas as palavras* do Lobo Antunes:
"Falo pouco, fico calado, a sentir. Dizer o quê? Se pudesse abrir o peito às pessoas e mostrar o que está dentro. Quanto mais gosto das pessoas mais emudeço"
* A verdade é que não falo pouco, falo que me desunho. Mas no essencial falta-me o verbo.
29 de março de 2010
Da ausência.
Os meus queridos leitores que me perdoem a ausência, mas na última semana têm-me faltado as palavras. É raro isso acontecer, mas não sei sequer começar a explicar o quão maravilhoso isso é. Por isso deixo três linhas a dar sinal de vida e a celebrar a comunicação não verbal. Voltarei a breve trecho para vos voltar a falar do amor e outros fatalismos.
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do amor e outros fatalismos,
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