31 de maio de 2011

Das palavras.

Sou das palavras. Já o disse, aqui e em todo o lugar, inúmeras vezes, a sério e a brincar, profissionalmente e entre amigos, em português e em estrangeiro. Sou das palavras. Para mim elas têm forma, contornos, peso, cor, cheiro, densidade, sabor. Toco-as, às palavras. Sou capaz de enfiar a mão no bolso e tirar de lá umas quantas, de as espalhar sobre a mesa, de as atirar ao vento, de as engolir, cuspir, mastigar, pisar, abraçar. São coisas, as palavras. Por isso é que são capazes de me magoar ou de mudar o rumo de um dia quando me fazem sorrir. São coisas, as palavras. E por isso é que às vezes me apetecia agarrá-las pelo colarinho, encostá-las à parede e fazê-las sair. Porque as palavras - pelo menos as minhas - têm vida própria, só fazem o que querem. Sou das palavras.

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