15 de maio de 2011
A minha mãe.
A minha mãe é uma mulher engraçada. Precisei de crescer, de ser mulher, para entender a mulher que a minha mãe é. Quem nos viu e quem nos vê, quinze anos passados sobre as portas a bater, os gritos, as ofensas, as frases horríveis que, quando damos por nós, é tarde demais. Já não se pode voltar atrás. Há palavras que são pontos de viragem. Há frases que são pontos de não-retorno. Não podendo retornar vai-se à volta. Aprendi eu, já agora, depois de ser mulher suficiente para perceber a mulher que a minha mãe é. Onde bati com a porta, lavada em lágrimas, dou por mim a abrir uma janela, devagarinho. E onde a minha mãe trancou a caixa, dedo em riste, dá por ela a desdobrar o lenço bordado onde guardou as chaves. Há coisas que podemos saber mas não sabemos. Eu sempre soube que ela tinha razão. Agora sei que sim.
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