Mostrar mensagens com a etiqueta constatações. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta constatações. Mostrar todas as mensagens
4 de julho de 2011
5 de junho de 2011
Momento cívico no singular.
Votar sempre foi um momento gregário. Acertávamos a hora que não atropelava agendas, definíamos ponto de encontro e lá íamos os três votar. Era uma coisa de família: o meu pai, o meu irmão e eu. Muitas vezes se juntaram a nós amigos, vizinhos ou caras vagamente conhecidas que encontrávamos à porta do liceu e com quem ríamos por nos encontrarmos ali em todas as eleições. Tínhamos todos o mesmo biorritmo eleitoral, aquelas pessoas e nós acabavam sempre por ir mais ou menos à mesma hora e brincávamos "então cá nos vemos nas legislativas". Ninguém tentava combinar cafés e jantares que não iam acontecer, aquele era o lugar onde sabíamos que nos veríamos outra vez.
Estas foram as minhas segundas eleições sem comunidade. Na primeira vez que votei no sítio onde vivo (quando fui obrigada a mudar a minha morada "oficial" de sempre) nem dei por nada porque passei uma manhã à procura do sítio onde devia votar, eram três locais possíveis e eu, claro, fui ao lugar certo na terceira tentativa. O meu primeiro exercício cívico no singular passou entre a chuva. Desta vez sabia exactamente onde tinha de ir. E fui, perdida nos pavilhões porque ainda não conheço os cantos à casa, a tentar ler ao longe os números que se baralham no astigmatismo que continuo a negar por achar que me faz incapaz. Nem uma cara conhecida. Nem um referente geográfico. E, a pouco e pouco, vai-se instalando em mim a sensação de que estou num lugar do meio, onde já deixei para trás uma comunidade e ainda não tenho uma comunidade nova. É um momento singular.
Estas foram as minhas segundas eleições sem comunidade. Na primeira vez que votei no sítio onde vivo (quando fui obrigada a mudar a minha morada "oficial" de sempre) nem dei por nada porque passei uma manhã à procura do sítio onde devia votar, eram três locais possíveis e eu, claro, fui ao lugar certo na terceira tentativa. O meu primeiro exercício cívico no singular passou entre a chuva. Desta vez sabia exactamente onde tinha de ir. E fui, perdida nos pavilhões porque ainda não conheço os cantos à casa, a tentar ler ao longe os números que se baralham no astigmatismo que continuo a negar por achar que me faz incapaz. Nem uma cara conhecida. Nem um referente geográfico. E, a pouco e pouco, vai-se instalando em mim a sensação de que estou num lugar do meio, onde já deixei para trás uma comunidade e ainda não tenho uma comunidade nova. É um momento singular.
15 de maio de 2011
A minha mãe.
A minha mãe é uma mulher engraçada. Precisei de crescer, de ser mulher, para entender a mulher que a minha mãe é. Quem nos viu e quem nos vê, quinze anos passados sobre as portas a bater, os gritos, as ofensas, as frases horríveis que, quando damos por nós, é tarde demais. Já não se pode voltar atrás. Há palavras que são pontos de viragem. Há frases que são pontos de não-retorno. Não podendo retornar vai-se à volta. Aprendi eu, já agora, depois de ser mulher suficiente para perceber a mulher que a minha mãe é. Onde bati com a porta, lavada em lágrimas, dou por mim a abrir uma janela, devagarinho. E onde a minha mãe trancou a caixa, dedo em riste, dá por ela a desdobrar o lenço bordado onde guardou as chaves. Há coisas que podemos saber mas não sabemos. Eu sempre soube que ela tinha razão. Agora sei que sim.
Etiquetas:
constatações,
coração,
do amor e outros fatalismos
9 de maio de 2011
Os olhos das pessoas.
Os olhos das pessoas são capazes de ver coisas tão diferentes. Hoje, em conversa com duas pessoas da minha equipa, uma dizia: "quando chegaste estava com receio do que vinha aí. Nesse mesmo dia comentei com o meu marido: gostei dela. É dura, mas justa. Segura mas humilde". A outra dizia: "Quando apareceste aqui fiquei preocupada, achei-te arrogante, a achar que sabias tudo". Duas mulheres, mais ou menos da mesma idade (mais velhas que eu), que conheceram a nova chefe exactamente no mesmo dia, na mesma hora. Os olhos das pessoas são capazes de ver coisas tão diferentes.
5 de maio de 2011
O dar (se) demasiada importância.
É sempre a mesma coisa. No final esqueço-me de tudo. De tudo. Porque não tinha assim tanta importância.
30 de abril de 2011
Perguntas e respostas.
Nasci curiosa, cheia de perguntas. Cresci e apareci, apareceram algumas respostas: aprendidas, criadas, esquecidas, inventadas, seguras, hesitantes, meias, inteiras, verdades, mentiras. Continuo curiosa, cheia de perguntas. Além da curiosidade, nascem em mim perguntas que duvido alguma vez conseguir responder. Outras que gostava de ter a quem perguntar. Algumas têm até destinatários mas persistem ancoradas no fundo da garganta, num misto de vergonha, orgulho, dignidade, fúria e nervosismo pueril. Às vezes queria um oráculo. Ou então só um poço sem fundo para onde as pudesse atirar - às perguntas e, às vezes, às respostas - para ter onde as pôr sem pensar mais nisso. Ou então só um ouvido sincero, sem julgamento ou opinião, que me dissesse a verdade, mesmo a que não quero ouvir. E a derradeira pergunta que me faço é o que é que será mais importante neste ponto da viagem: a pergunta ou a resposta. Não tenho resposta.
28 de julho de 2010
Depois de uma passagem pelo facebook a meio de uma insónia...
... acho que estou preparada para escrever mais um capítulo do Tratado Anti-Tesão. Ele há com cada cromo.
Subscrever:
Mensagens (Atom)
