"Um homem chegou aos quarenta e assumiu a tristeza de não ter um filho. Chamava-se Crisóstomo. Estava sozinho, seus amores haviam falhado e sentia que tudo lhe faltava pela metade, como se tivesse apenas metade dos olhos, metade do peito e metade das pernas, metade da casa e dos talheres, metade dos dias, metade das palavras para se explicar às pessoas. Via-se metade ao espelho e achava tudo demasiado breve, precipitado, como se as coisas lhe fugissem, a esconderem-se para evitar a sua companhia. Via-se metade ao espelho porque se via sem mais ninguém, carregado de ausências e de silêncios como os precipícios ou poços fundos. Para dentro do homem era um sem fim, e pouco ou nada do que continha lhe servia de felicidade. Para dentro do homem o homem caía."
O filho de mil homens, Valter Hugo Mãe
9 de julho de 2012
Quando as palavras dos outros dizem o que não sabemos dizer - parte 2
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