No que toca a anos, acredito em fins sem retorno. Acredito na impossibilidade objectiva e real de recuperar o que lá vai. Acredito na linearidade do tempo e na nossa incapacidade de voltar atrás para fazer diferente. Acredito que se pode jogar e ganhar, mesmo quando nos convencemos de que perdemos. E acredito também que podemos perder e estar convencidos de que ganhámos. Acredito que um ano é um caminho que se faz em frente, sempre em frente, mesmo que por estradas diferentes, a velocidades inconstantes, ora a pé, ora de bicicleta, ora de comboio, ora parado. Acredito que à medida que o tempo avança as lembranças se vão esbatendo e o que fica de um ano são traços gerais, como num desenho a carvão guardado num livro, perdem-se os detalhes, esbatem-se as arestas, evapora-se a definição. E como dizia há uns dias a minha adorada Rita, podemos esquecer-nos dos detalhes de uma história, do que foi dito ou feito, mas não nos esquecemos do que se sentiu. Porque o coração tem memória e é imune à oxidação que o tempo produz.
Acredito em balanços, sumários mais ou menos exactos do que foi um dia. Acredito em caminhos que se fazem por um motivo qualquer, mesmo que o motivo não seja óbvio quando se faz o caminho. Acredito no poder do tempo e no nosso poder de mudar o mundo, de o transformar. E isso foi o meu ano de dois mil e nove: A transformação. A ruptura. O destruir para construir. O soltar amarras. A libertação. A limpeza. O fazer ruir anos passados para aceitar de peito aberto os anos que vão chegar.
Foi um ano duro, difícil, solitário, sofrido. E foi um ano maravilhoso, transformador, cheio de esperança e de alegria.
Mudei de vida, mudei de endereço. Sobrevivi mais uma vez. Perdi dois amigos porque precisei de salvar a minha integridade emocional, a minha sanidade mental (às vezes a vida é feita de escolhas espinhosas). Ganhei três amigos que mudaram a minha vida e sei, porque sim, que vão ficar. Deitei ferro e âncora aos meus quatro amigos de sempre. Larguei a convicção antiga de que conheci e perdi o amor da minha vida. Acredito hoje que tive a sorte de o encontrar, mesmo que nos tenhamos desencontrado. Chorei muito. Ri muito mais. Larguei um percurso profissional notável e de ascensão meteórica. Ganhei amplitude e humildade para aprender mais. Desfiz-me de doze anos de coisas acumuladas. Fiz espaço para mais doze. Destruí. Desfiz. Demoli. Aniquilei. E (re)comecei a criar.
Dois mil e nove foi o ano antes da viragem, que antecede o que vai ser. É fim de ciclo. Deixo para trás uma boa parte da minha história. E se tiver saudades, sei que vão ser saudades boas. Por isso deixo-as guardadas num sítio específico, dou-lhes número de porta e nome de rua. Para um dia, se quiser, saber lá chegar.
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Brindemos ao ano da viragem, foi uma grande viagem! S'
ResponderEliminarBrindemos às nossas vi(r)agens.
ResponderEliminarsempre a aprender contigo amiga do meu coração, consegues pôr em palavras tanta coisa que já me tinha passado cá dentro também :) venha o próximo, eu cá gosto da ideia de novo ano, inspira-me sempre e para ti sei que vai ser muito bom mesmo, porque preparaste estas viragens todas e parecendo às vezes que não, fazem sentido. beijo grande e obrigada por ancorares por aqui :)
ResponderEliminarEste ano só fiz um desejo: Sim.
ResponderEliminarCopiaste-me Felino, essa é que é essa. Não podes ver nada.
ResponderEliminar:-)
Indeed... ;)
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