É manhã de natal e está tudo muito silencioso. Gosto dele assim, do dia. Quieto, parado, como se estivesse a preparar alguma. Gosto dele assim, a guardar verdades num silêncio cortado por um ou outro carro que passa apressado lá fora, atrasado para o almoço de natal, a arrastar a ressaca do vinho a mais ontem à noite. Está tudo tão quieto que quase acho que me vai aparecer aqui o menino jesus a pregar-me uma partida, a dizer "bú!". Despido, a arrastar as palhinhas, de dedos em riste como se tivesse alguma legitimidade para apontar os males do mundo. Cala-te pá. O que é que tu sabes da vida? Eu, por outro lado, não nasci ontem (não sou como uns e outros, sé-que-mentendes).
Sento-me aqui no sossego a olhar para o leque de cartões-oferta à minha frente, uma mão de poker multicolor, e chego à conclusão de que ainda não decidi se é triste ou divertido que as pessoas nunca saibam o que me oferecer. E acho que por isso é que me dói a garganta, porque se me prendeu aqui alguma coisa que não uma espinha do bacalhau com couves, alguma coisa que não há meio de saltar cá para fora. Alguma coisa que talvez explique porque é que não gozo a quadra, o quadro. Hoje é a mim que me dói a garganta - o menino ófáxavor que explique que eu é mais bolos. Mas eu acho, aqui na minha infinita ignorância destas coisas todas assim mais para o obscuro, que sou aquelas coisas todas que não digo, não faço, não falo. E se calhar, vais a ver ò menino, que é por isso que me dói a garganta.
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Prendas para ti encontram-se. Só é preciso andar acordado.
ResponderEliminarQuanto às dores de garganta...se for alergia: Zyrtec...se for infecção: Strepfen que strepsils é só para enganar.
ResponderEliminarOu então dijifajifala.