6 de abril de 2010

Do sítio das coisas selvagens.

Assaltou-me ontem a frase do filme: "I want you to be kind forever Max". Entrou-me de rompante na cabeça, como um aviso, uma premonição. Ser-se amável, bondoso, generoso, de coração aberto é provavelmente uma das características que mais me fascina nas pessoas. É um percurso difícil, o do amor. Sermos capazes manter limpo o coração e continuar a acreditar em coisas boas. Porque é fácil tornarmo-nos amargos e cínicos à conta de tanta paulada e lixo que a vida nos traz, é fácil ser-se mordaz e corrosivo, desconfiado e pessimista. Difícil e louvável, acredito, é ser-se capaz de aceitar o outro com as heranças que se traz, com as coisas menos boas, com os defeitos, com a bagagem. É aceitar-se de peito aberto o que as viagens alheias provocam na nossa viagem, o que os tropeções dos outros nos trazem de lição. E abraçar o erro, o medo, a bagagem, a herança. De peito aberto, sem listas ou regras de como deve ser. Por isso é que, quando for grande, quero ser maior.

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