18 de abril de 2010

Vergonha alheia.

Sofro de um mal que muito me aflige: a vergonha alheia. Quando menos espero há uma crise que me assalta e me contorce as entranhas. Não sou habitualmente capaz de prever quando vai acontecer, aparece muitas vezes sem aviso e sem sintomas. Não tenho como dizer "acho que estou a chocar uma crise de vergonha alheia". E não há panaceia que me valha. Sempre que acontece, à semelhança de crises de urticária e insónia, não há muito a fazer: respiro fundo, franzo a testa e, sempre que possível, escondo a cara na gola de um casaco ou numa almofada. Esta coisa da vergonha alheia é embaraçosa e cansativa: já não me bastam as vezes todas que faço eu própria figuras tristes e me envergonho, também tenho de me envergonhar com as coisas dos outros. Foi mais ou menos isso que me aconteceu ontem, deitada no sofá, a ver o novo programa do Herman José.

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