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4 de maio de 2011

Da natureza humana.

Choca-me quando a natureza humana é contra-natura. E, mais uma vez, respiro fundo, levanto a cabeça e continuo a andar de escudo em riste a proteger a convicção que escolho manter: as pessoas são fundamentalmente boas. (é que se não acreditar nisso não me consigo levantar de manhã)

18 de abril de 2010

Vergonha alheia.

Sofro de um mal que muito me aflige: a vergonha alheia. Quando menos espero há uma crise que me assalta e me contorce as entranhas. Não sou habitualmente capaz de prever quando vai acontecer, aparece muitas vezes sem aviso e sem sintomas. Não tenho como dizer "acho que estou a chocar uma crise de vergonha alheia". E não há panaceia que me valha. Sempre que acontece, à semelhança de crises de urticária e insónia, não há muito a fazer: respiro fundo, franzo a testa e, sempre que possível, escondo a cara na gola de um casaco ou numa almofada. Esta coisa da vergonha alheia é embaraçosa e cansativa: já não me bastam as vezes todas que faço eu própria figuras tristes e me envergonho, também tenho de me envergonhar com as coisas dos outros. Foi mais ou menos isso que me aconteceu ontem, deitada no sofá, a ver o novo programa do Herman José.