1. Porque é que, ainda antes de a porta de embarque abrir e tendo um lugarzinho marcado só para si, o douto passageiro teima em ficar numa fila interminável em frente a uma porta fechada? É uma forma de pressão sobre a equipa de terra? Está a treinar para a visita trimestral à repartição de finanças?
2. Porque é que, tendo espaço na bagageira por cima da cabeça, o douto passageiro decide transportar a mala, casaco, computador e saco do freeshop algures entre o espaço debaixo do banco da frente e o colo? É medo de que os macacos anões que vivem nas bagageiras vasculhem os seus pertences? É levar demasiado à letra a regra de não deixar a bagagem desacompanhada?
3. Porque é que o douto passageiro aplaude quando o avião aterra? É porque a porta do piloto está fechada e não dá para ir lá dar uma gorjeta? É porque o curso de aviação comercial permite avaliar a perfeição com que o piloto se fez à pista?
4. Porque é que, assim que o avião aterra, antes de o sinal de apertar os cintos se apagar e antes de as portas abrirem, o douto passageiro se levanta? É porque prefere, em vez de estar sentado, estar em pé de pescoço torcido por tempo indeterminado? É porque tem medo que não o deixem sair e seja condenado a viajar em círculos pelo espaço aéreo internacional para toda a eternidade?
5. Porque é que, antes sequer de o tapete de bagagens começar a rolar, o douto passageiro se enfia num buraquinho entre outros doutos passageiros, à laia de construção devota de barreira humana? É porque o tapete não anda à roda e se não se apanha logo a mala ela vai para o buraco negro da bagagem negligenciada? É porque, não vá o diabo tecê-las, a mala pode ir embora sozinha e não ter a morada de casa?
Tenho de ir à wikipédia.
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30 de novembro de 2010
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