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20 de julho de 2010

Da inevitabilidade.

Não se segura o riso, não se seguram as lágrimas. Coração na mão, alma na mesa, mesmo ali ao lado do copo de sumo de laranja com maracujá. O maracujá dá sono, pensei. Mas não disse. Quero ajudar as pessoas a não deixar fugir a imaginação, a não deixar de ver cães com asas e céus cor-de-pastel-de-nata. Quero ajudar a crescer na alegria, no riso, no amor. Sabes bem que foi para isso que nasci, para dar aos outros e para ajudar a crescer. Sabias isto desde sempre e esperaste até ao fim do jantar para me trazer a resposta das coisas todas que já sabias, mesmo que não soubesses que sabias. Há uma página por escrever, a primeira das páginas todas. A primeira página das histórias do primeiro namorado de rabicho piroso que na década de noventa tinha uma pinta descomunal. A primeira página das dores de coração que se alastram para a garganta e me prendem a perna esquerda em dor ciática (tive vergonha de te contar). A primeira página de uma história de um amor de caserna que é o nosso, porque sabemos que se não nos tivéssemos encontrado hoje teria de ser amanhã. Porque o mundo era um sítio muito pior se não te tivesse por perto para me dares a mão ao coração e para me contares uma história que começa com "my dog". E eu a comover-me com cada palavra que te saía das mãos porque o meu cão tem mesmo asas. E o meu coração também. Por isso é que é bom e tem coisas para dar, porque pode voar para longe e trazer-te lá dentro, porque podes voar para longe e ficar aqui. Porque há dias em que, às vezes à noite, me salvas a vida. E isso é infinitamente maior que falar da inevitabilidade de estarmos na vida um do outro. Obrigada Rui.