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22 de junho de 2011

Ora acelero, ora abrando, mas sempre a correr.

Sonho acordada com viagens de barco. Abro uma loja de 180m2. Vejo a avó e dou-lhe beijinhos. Desdobro-me e torço-me para estar com os amigos. Processo em média 120 e-mails por dia. Vejo os pais que ainda agora chegaram. Almoço com um editor e aprovamos uma sessão fotográfica. Não dobro o pijama nem faço a cama. Escrevo seis propostas para projectos daqui até ao fim do ano. Tento mudar o (meu) mundo todos os dias um bocadinho, preciso que ele seja melhor. Penso nele. Penso no outro. Ponho fotos estúpidas no facebook. Faço uma video conferência em inglês. Depois outra em francês. Rio-me. Em português é ao telefone. Carrego-o duas vezes por dia porque a bateria não dura. Tomo os comprimidos das insónias mas como chocolate. Dou os parabéns ao meu irmão porque a expedição foi um sucesso. Encomendo 36 lâmpadas. Envio sms a brincar. Outros a sério. Lavo roupa. Faço check-in de três jornalistas, vamos voar juntas e penso que somos todas mulheres. "You are perfect, a life saver." diz um mail às 7 da manhã. Fico feliz e com pena secreta que seja profissional. Aprovo um plano de meios. Passo brief para outro. Vou comprar uma garrafa de porto de 20 anos mas não a posso beber que é presente de agradecimento. Vou à Casa de Lafões e doem-me tanto as costas que me custa dançar. Não digo nada e rio-me, com uma mini na mão como deve ser. Encontro 4 barcos, dois na Grécia, um na Turquia e um em Espanha. Envio sms de entusiasmo. Discuto orçamentos. Reciclo. Digo asneiras. Aprovo três projectos de novas lojas. Rego as plantas. Venho escrever coisas estúpidas para o blog.
E penso que isto tudo não é nada mau para uma semana de três dias.

6 de março de 2011

VrumVrumVrum

Fosse eu objecto seria scooter. Mota-calhambeque enegrecida pelo tempo, mas com cilindrada-cilíndrica a deslizar rua abaixo - e agora mais depressa, bora escorregar pelo carril do eléctrico. E agora que escrevo apercebo-me que deixei para trás o acordo ortográfico, o que me parece legítimo dada a velocidade a que tenho descido a colina e subido a escada para o escritório quando me irrito do tempo de espera pelo elevador. Serve por isso esta nota sem nexo para dizer não desapareci nem me esqueci do ano novo por estrear. Muito pelo contrário: tenho estreias atrás de estreias, das boas e das más. Mil vontades de escrever e coisas imensas presas na garganta e nos dedos, vontade de falar noite dentro sem relógios. Mas os relógios entram-me pela noite e dão-me pauladas na cabeça de adormecer no sofá com computador ao colo, escalfeta dos tempos modernos. E logo logo a seguir é de manhã, fresca e cheia de chilreios dos pássaros e lá vou eu VrumVrumVrum. Lá vou eu carril abaixo a deslizar e a tentar não virar o barco. Voltarei.