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1 de maio de 2010

O tempo.

Ando outra vez às voltas com o tempo, com a forma como ele se esvai por entre os dedos e quanto mais o tentamos agarrar mais rápido escorre por aí abaixo. As últimas semanas de trabalho têm sido muito duras, muito agitadas, intensas e parece que o tempo todo é sempre insuficiente. Há tantas coisas por fazer, todas prioritárias - já deixei para trás as urgentes e as adiáveis, só tenho em mãos as prioritárias - e o tempo passa sem sequer dar por ele. E esta minha velha amiga, a ansiedade do tempo, a urgência, a pressa - cabra - que volta sempre para me agitar porque ainda não tratei dela. Estou cada vez mais convencida de que o universo nos traz as mesmas encomendas várias vezes na vida - e continuará a trazê-las - até sermos capazes de as resolver. Encontrarei no percurso esta ansiedade tantas vezes quantas forem necessárias para, de uma vez por todas, aprender a lidar com ela. E a pressa é solitária: corre sempre em sprint e angustia-se a olhar para trás e a perguntar "ainda estás aí?". A pressa agita, atropela, segue, tem prazer no vento que bate na cara. Mas não deixa de ser solitária. A pressa é uma cabra safada que dá uma no cravo o outra na ferradura: faz-me sentir viva e mata-me por dentro.

Mas nem tudo é pressa e ansiedade. Há por aqui uma espécie de paz, fora do trabalho e do bulício dos dias. Há uma paz em casa, onde é vital - dessa ainda não consigo falar aqui, ainda não tenho as palavras. E sei que é essa paz que tenho de proteger. É urgente protegê-la, tenho pressa de a proteger.