16 de junho de 2010

Desculpas em papel azul de 25 linhas.

A primavera amolece os corpos e os espíritos, suaviza as arestas. A mim virou-me a vida do avesso e remeteu-me ao silêncio de quem tem muito para dizer mas não tem mãos a medir. Perdoem-me os meus adorados leitores a rude e prolongada ausência. Deixo a promessa de melhores dias e do regresso às lides verbais na próxima estação. O verão trará o sol a brilhar e mergulhos frescos no mar. Isso eu sei. 

Deixo por isso, depois de fechar o último documento de trabalho há minutos, uma carta de desculpas, 25 linhas finas impressas em papel azul, a selar no tom operacional e burocrático no qual me tenho visto submersa. É que esta coisa de vender ideias às vezes tem a chatice de gerar listas intermináveis, escritas a lapiseira 0,5, frases encavalitadas que dizem o que falta fazer - chamam-lhe "fazer acontecer". Eu por mim tinha as ideias e passava ao próximo, mas há que dar o corpo ao manifesto. Entretanto vou pondo mãos à obra e afastando do cérebro a vontade imensa de me imolar, de fazer cortes a x-acto entre os dedinhos dos pés, de ustular cada milímetro daquela pele fininha por dentro dos braços e de rezar para que os aviões que me transportam de cidade em cidade caiam e se desfaçam em mil bocadinhos. Se nada disto acontecer até ao verão voltarei. Prometo.

3 comentários: